quarta-feira, 12 de abril de 2017

Crônica: SUPOSIÇÕES

Será que...
Será que ela não gostou?
Será que ele entendeu o que eu disse?
Será que ele esqueceu?
Será que ela está pensando que não gostei e por isso está me evitando?
O cliente atrasou ....será que ele esqueceu o horário do treinamento? Só tem um jeito de saber, ligar e perguntar se aconteceu alguma coisa.
Percebi que constantemente estamos imaginando coisas que pertence aos outros.  Tentando adivinhar a vida, a rotina, a agenda do outro, com base em nossas referências.   Isso me lembrou uma piadinha  “Em uma para de ônibus tinha uma fila de pessoas. O primeiro da fila estava com o braço direito em posição curva com a mão na cintura como se estivesse segurando algo. Então uma mulher que estava no meio da fila de mais ou menos 11 pessoas virou para trás e perguntou:
- O que será que aconteceu com o braço daquele homem que está lá na frente?
-Hum é mesmo.. será que quebrou? E a outra completou rapidamente
- e engessaram errado prá ficar torto assim.
O Sr que estava em frente ouviu a conversa e contribuiu:
- eu acho que ele nasceu assim, e a pessoa que estava trás opinou:
- Vai ver que ele está com um furúnculo na axila. Ou é um louco que fugiu do hospício:
Então uma mulher decidiu: - vou perguntar antes que o ônibus chegue e  ficamos sem saber.
Se preparou e foi de encontro ao Sr. do braço em curva com passos firmes decidida a desvendar o mistério. E perguntou: - O que aconteceu com seu braço? O homem virou assustado, olhou para seu braço com olhos arregalados e gritou – CADÊ MINHA MELÂNCIA!”  
É uma metáfora que ilustra nosso jeito indireto de ser, por que supor tanto? Porque falar para os outros e não para a pessoa que interessa? Estou tentando adivinhar os pensamentos de alguém e interpretando um comportamento, com base  em minhas histórias.  Isso pode levar a erros irreparáveis. 
No ambiente de trabalho é um prato cheio para o disque - disque, para o erro e atraso nas tarefas. Essa forma de ser desgasta relações, desperdiça tempo e geralmente cria situações irreais. Considero um ruído na comunicação, isso é, um som que causa desconforto. A piada mostra que a realidade pode ser inimaginável  e muitas vezes impossível de ser adivinhada.  Cada pessoa é única, resultado de um encontro genético, de histórias e influências familiares. Por isso perguntar é o melhor caminho. Falar diretamente com a pessoa mostra respeito e consideração, demonstra preocupação com o outro e pode ser o início de um bom relacionamento. Quando se tem boas atitudes se transmite boas impressões. 


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