Querido
leitor
Uma
vez fui coordenar uma mesa redonda em um congresso em foz do Iguaçu, no Paraná
e uma das participantes me procurou e disse: estou muito nervosa acho que não vou
conseguir apresentar minha parte. E eu compreendi o nervosismo da minha colega,
afinal mais de 100 pessoas assistiriam sua apresentação. Conversamos um pouco,
orientei e pensei que estivesse tudo tranquilo. Na hora de testar os slides um
pouco antes da apresentação, ela entrou em pânico e disse: Não! Está tudo
errado! Esta não é minha apresentação. E sumiu. Tive que buscar alguém pra substituir
rapidamente a participante.
No
evento eu tinha conhecido uma profissional muito determinada, com postura de
bem sucedida. Na época laptop era
novidade e ela andava pelos corredores carregando seu computador, caminhava
firme e com postura que passava autoconfiança. Convidei-a para assumir o lugar
da palestrante, porque dominava o assunto. A resposta foi rápida e certeira:
oportunidade não se perde. Me dê uma hora pra organizar meus slides.
As duas personagens desta história me
marcaram: uma pela insegurança e medo e a outra pela coragem e autoconfiança.
Pergunto
qual a diferença entre as profissionais? As duas dominavam o assunto e tinham
experiência na área. Só que a segunda era segura, e enfrentou o desafio sem
medo. A primeira recebeu o convite se
preparou durante seis meses, fez a apresentação, estudou e na hora entrou em
pânico. Fugiu, literalmente. Independente da consequência do ato, da imagem
pessoal e profissional, o medo foi maior e, a fez desistir. A outra mostrou segurança. Provavelmente, logo
no início do evento ela também sentiu um friozinho na barriga, mas isso só
serviu para ela se organizar e ter certeza que tinha condições de se controlar.
Sim se controlar, porque só uma pessoa vai poder controlar o SEU medo. VOCÊ. Isso é
resultado de acontecimentos que aconteceram na infância quando os pais diziam
“criança não se mete em conversa de adulto” ou, fatores que ao longo do tempo
interferiram na autoestima e que hoje levam a pessoa a pensar “eu não sou
capaz, eu não sei o suficiente”. “E se eu errar o que vão pensar de mim”?
As
duas profissionais do exemplo que mencionei foram criadas totalmente diferentes
uma do outra. Provavelmente uma sendo incentivada a falar, num ambiente
positivo de valorização da comunicação, enquanto que a outra num ambiente
negativo, com muitas críticas e desvalorização da sua opinião o que justifica a dificuldade de lidar com o
julgamento e assim carrega consigo, por toda a vida, o medo de errar. O que lhe
impede de crescer pessoalmente e profissionalmente.
Entrar
em pânico é o auge do medo, leva a pessoa a sair correndo, desistir e
desaparecer.
É importante
saber que sempre sentiremos medo ao falar em público. Eu recomendo identificar
o nível deste sentimento. É leve, moderado severo ou profundo? Os dois
primeiros níveis são facilmente controláveis já o severo e profundo se deve dar
atenção especial buscar ajuda profissional e superá-los.
Querido
internauta agora preste atenção nas três dicas para controlar o medo de falar
em público:
1º. Conheça
a fonte. É importante identificar
a fonte que gerou seu medo para poder ressignificar àquela situação. Como o medo
foi gerado na infância quem recebeu foi uma criança, agora você é um adulto e
tem condições de receber de forma madura e resolver tranquilamente a
situação. Se você sofreu bulling, por exemplo: falava errado e os
amiguinhos zoavam, agora mudou tudo, provavelmente os amigos são outros, você
não fala mais errado e o que ficou foi o sentimento ruim, muito ruim de
incapacidade. Ou se o ambiente que você se desenvolveu era muito hostil,
autoritário, foi uma criança muito criticada e desvalorizada hoje o ambiente é
outro, tudo mudou, você é o autor de sua vida. Vá em frente, descubra qual é a
fonte geradora do medo e destrua.
2º. Identifique a situação. O medo não aparece em todas as situações de fala,
então recomendo que identifique em quais casos você tem medo de falar. Por
exemplo: fico com medo de falar para pequenos grupos, ou tenho dificuldade de me
expor em reuniões, de me posicionar diante do chefe, coordenar um projeto,
palestrar para uma plateia muito grande. E se pergunte por quê? E depois
responda o que acontece? Como o medo aparece?
Agora identifique as situações que você tem
facilidade de falar, faça uma lista tenho certeza que são muitas. Como: no
barzinho com amigos, na hora do café no
trabalho, na escola com os colegas. Esta é a sua comunicação
natural.
A dica é resgate os
sentimentos e os recursos de comunicação que você usa nas situações de fluidez e
aplique nas situações difíceis. O objetivo é buscar o orador mais próximo da
sua natureza e lapidar com técnicas de oratória para o sucesso do seu discurso.
3. Drible seus medos. Identifique, ressignifique e enfrente, pense
racionalmente sobre o medo. As pernas estão trêmulas? Relaxe. Frio na barriga? Desconsidere.
Só você sabe que ele está lá. Voz trêmula? Respire fundo e lentamente. Suor?
Use roupas escuras pra disfarçar.
Lembre-se toda a exposição
pública é sempre uma estreia por isso um nível baixo de estresse você vai sentir.
Então se prepare para dominá-lo. Ao pisar com a planta do pé no chão do
palco seja o dono do lugar, então pise
firme porque o território é seu! Lembre-se que medo representa uma evidência
falsa que parece real.
Caro Internauta me conte sua história relacionada ao medo de falar em
público. Pra tudo tem orientação e
solução, tenho certeza que posso contribuir com o sua superação.
Hoje nosso assunto foi sobre o
medo de falar em público, e você viu que é importante saber o que desencadeou
esse medo na infância, conhecer as situações que ele aparece e treinar usando
técnicas e conhecimentos para dominá-lo. Este só foi o primeiro artigo de uma
série. Vou continuar escrevendo aqui no Blog sobre esse fantasma que assombra
muita gente. Nos acompanhe! Se gostou curta, compartilhe.